16 de fevereiro de 2011

Todos Passarão

 Este poema foi inspirado naqueles que são minhas companhias matinais: os pássaros. O fiz de uma forma subliminar, aproveitando para intertextualizar com o maguinífico Mario Quintana!


De baixo te vi sozinho
Piando saudoso
Oh, meu passarinho!

Criado por Deus, pequeno ser
O céu te observa
Me questiona o viver

O pio agudo me leva contigo
Se soubesse da paz aqui de cima
Nasceria passarinho

Do alto Mario me disse:
Todos passarão
Você, agora, passarinho








13 de fevereiro de 2011

Propósito

  Ao batermos de frente com a vida nos deparamos com o propósito que ela nos impôs. A filosofia do viver requer interpretação: viver para nós e algo além de nós. Primeiro devemos interiorizarmo-nos e buscar em nossas raízes o verdadeiro “eu” e então descobriremos que somos maiores do que pensamos e melhores do que dizem que somos. Esta conexão se dá ao nos esvaziarmos completamente do que é fútil, buscando nossa solidão. Quando passamos a nos conhecer, e não apenas ser, vivemos para algo além de nós.




12 de fevereiro de 2011

As fases de ser do ser

  Não existe amor de fases, as pessoas é que possuem fases boas ou ruins. O amor é um sentimento imutável, ama-se ou não. Quando é convicto as fases ruins do ser não o abalam, pelo contrário, catapultam as experiências para um estágio superior.
  Já a paixão pode sofrer alterações pelo tempo ou pelo meio. Quando a descobrimos se torna algo inflável em nosso interior, apenas um olhar e já quase explodimos. Quando a paixão é apresentada a ausência algo nos corrói e esvazia. Entretanto, quando está presente na fase ruim do indivíduo funciona como alimento, mantendo-o vivo. Toda paixão é boa, da ínfima à grandiosa.
  Porém é necessário precaver-se quando esta conhece o amor, para que não morra, são sentimentos contrários quanto às sensações. O amor é calmo e transparente, a paixão explosiva e enganosa. Existe paixão sem amor, mas não deve existir amor sem paixão.
  Assim como o ciúme é o perfume do amor (Vinícius de Moraes), as fases do ser são os espinhos e a paixão a cor.




10 de fevereiro de 2011

Amizade : Modo e Tempo

   Já tive muitos amigos, mas acredito que amizades têm prazo de validade.
   Amizades vêm e vão, e o tempo leva com ele pessoas maravilhosas às quais nunca deviam ter se afastado de nós (e quando digo afastado me refiro especificamente à distância).
   Já tive poucos amigos, criteriosamente selecionados a fim de uma proteção contra possíveis mágoas, a favor do meu egoísmo. O tempo chegou, a distância alargou e o esquecimento pairou.
   Já não tive amigos, busquei a solidão que me preenchia com seu vazio. Sem mágoas, sem brigas, sem sentimentos.
   Hoje tenho irmãos. São pouquíssimos, mas constituem meu ser. Amigos perfeitos e imperfeitos, com quem vivia, com quem vivi. O futuro do pretérito a Deus pertence, se Ele quiser morrerei ao lado de meus poucos, mas sempre importantes amigos.


7 de fevereiro de 2011

Viver x Existir

   Ela se sentia cansada, mas não queria dormir. Estava com a cabeça cheia e sentia que pensar a manteria viva, não possuía mais nada. Nem um bem, nenhuma pessoa. Sozinha no mundo ela continuava a pensar, mesmo que raramente colocasse em prática alguma de suas idéias.
   Preservava o silêncio e a solidão desde quando descobriu que a vida lá fora não a preenchia mais. Já teve amigos, família e um único amor. A única coisa que existia dentro dela era o vazio. Um dia pensou que isto lhe faria mal, mas descobriu que vivia melhor que muitas pessoas que são erroneamente vistas como as mais felizes.
   Quando a encontraram estava envolta em uma cortina branca embebida em sangue, fora decapitada. Havia um bilhete que dizia: “Ela já estava morta quando a encontramos, apenas terminamos o serviço.”; e o oficial, coçando a cabeça, sabia que com os recursos que a polícia possuía seria quase impossível descobrir o homicida.


             



6 de fevereiro de 2011

Amanhecer



Hoje o dia vai demorar a clarear

Assim como seus olhos demoram a enxergar
O meu coração fúnebre de desamor
A vida desatina. Desamor

Hoje ainda não clareou
Meu coração já despertou, dolorido

Sofreu a noite que passou


As horas se arrastam
Meus olhos, cerrados, pesam
São lágrimas anunciando a falha tentativa do meu ser
Embebendo-se em lágrimas
Tentando sobreviver

Amanheceu, mas não clareou
Acalentou-me como ser
Mas não como espírito


     

Maria Albano