1 de fevereiro de 2013

Quimera I


  De novo. Por quê? Aquela casa lhe dava arrepios. Tremendo, iniciou uma nova busca para achar a saída. Dália estava suando, esperava pelo pior. Ouvia passos de todos os lados, o barulho deles aumentava em sua direção. Sentindo-se acoada, tateou os bolsos em busca de um celular ou uma arma. Em vão. Cada minuto dilatava-se na apreensão de esperar o que viria junto àqueles longos passos. Quando Dália finalmente sentiu o calor do que se aproximava tentou correr, mas abruptamente foi lançada ao chão.
 - Por favor, eu não quero morrer!
 Entre as súplicas e o choro desesperado, só o que ouviu foi uma risada debochada. Em meio as frestas de luz que escapavam por entre as madeiras pregadas na janela pode finalmente ver o seu agressor. Esta visão, porém, foi desfeita por um tapa no rosto. Tentando fugir, só o que conseguia era arranhar aquele que lhe agredia. Este, um homem de meia idade, cabelos grisalhos, alto, gordo e mal vestido.
 Dália, agora, estava sendo arrastada para um cômodo no andar de cima. A cada degrau da escada tentava ficar em pé, mas sendo puxada pelo cabelo acabava batendo os joelhos nas quinas. Já no cômodo, foi lançada a um colchão que estava no piso. Pode sentir o cheiro de suor impregnado nele.
 Em alguma outra noite ela já esteve naquela casa. Porém, mesmo com medo, conseguiu fugir sem nem ao menos ver o tal homem de meia idade. Dessa vez, entretanto, sabia que não havia mais nada a fazer, só esperar que cada doloroso minuto durasse meio.
 Depois de levar uma surra, Dália teve as suas roupas arrancadas. Tentou, em vão, fugir daquele coito mórbido. A cada tentativa, um soco ou tapa que só não lhe doía mais do que a agressividade do ato principal. Quando não pode mais resistir, sentiu-se saindo do próprio corpo e sentando ao lado da cena. Assistiu ao "grand finale" da sordidez ao qual seu corpo forçosamente estava. Dália já não chorava, já não sentia. Foi quando, enfim, saiu do devaneio em que se encontrava.