O vaso lançado por mãos tão delicadas quebrou-se rapidamente. Anna não se importava em pisar sobre os estilhaços. Estava desesperada, os olhos mareados transpareciam o desgosto pelo qual passara. Andava de um lado para o outro. Seus pés sangravam cortados pelos cacos sobre o piso da sala. E agora? Lágrimas começaram a rolar rapidamente pelo seu rosto. O relógio marcava 22h16. Precisava de um plano. Desesperada, apossou-se da faca sobre a mesa e seguiu em direção ao banheiro. Em passos largos, não viu o piso molhado ao entrar, caiu de costas no chão. O baque a fez esmorecer. Quando retomou a consciência, percebeu que havia esgorregado em uma poça de sangue. Assustada, temeu o que estaria por vir. Levantou lentamente e, ainda mais devagar, dirigiu-se ao boxe ensanguentado. Tremendo, abriu-o abruptamente. Um grito agudo. Letícia, era a Letícia! Estava morta. Pálida, Anna saiu do banheiro. Não sabia para onde ir, não sabia onde estava.
Na sala, o silêncio foi quebrado por um barulho de chave na fechadura. Dois homens altos entraram na casa, um deles pisou sobre os cacos do vaso usado por Anna. Havia sangue e um corpo caído ao lado do sofá.
- O que ela fez com o Jorge?
- Put... onde ela está?
Anna, tentando abrir a janela, derrubou o abajur que estava ao lado da cama. Ouviu passos na direção do quarto e, usando mais força, conseguiu abrir a janela. Pulou o mais rápido que pode e correu por entre as árvores. Estava apavorada, não fazia ideia de para onde estava indo. Caiu. Quando abriu os olhos avistou o relógio digital - 3h34. Era o terceiro pesadelo só naquela semana.
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