Desprendeu-se da copa da árvore e foi levada pela brisa. A folha parecia dançar conduzida pelo vento, voltas completas até atingir o asfalto morno. No playground, crianças brincavam de ciranda.
Era década de 90, Luzia estava com um vestido azul de bolinhas brancas - seu favorito. Balançava despretensiosamente no balanço do parque quando o avistou. Tão lindo! Nunca tinha visto tanta beleza em um só lugar. Queria-o para si. Estava tão concentrada que não ouviu quando a chamaram. Era hora de voltar para casa. Luzia bateu o pé e chorou como qualquer criança de 7 anos faz quando precisa ir embora na melhor parte da brincadeira. Para ela, no entanto, no melhor do contemplamento.
Os pais de Luzia eram líderes de uma corporação renomada, quase não tinham tempo para a filha. A menina passava boa parte do dia trancada em casa, tinha como diversão olhar as crianças correndo de um lado para o outro na rua. Ter ido ao parque aquele dia foi algo excepcional para o cotidiano ao qual estava acostumada.
Ainda focada na beleza daquele objeto, Luzia agora era arrastada para o carro por sua mãe. Já no interior do automóvel, entre lágrimas, gritou:
- Eu quero aquela bexiga azul!
Seu pai, sem dar ouvidos, dirigiu em direção a zona sul.
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