Ela caminhava em passos largos, o suor escorria pela testa. Era um final de tarde comumente quente. O sangue escondido entre os dedos na mão fechada já havia secado, preocupava-se agora com a taquicardia que a acometia. Era fundamental esboçar tranquilidade quando chegasse. Quais as possíveis perguntas? Premeditava, inclusive, a espontaneidade das respostas.
- Doutor Willian?
- Terceiro andar, sala 15.
A hora de enfrentar os medos havia chegado. A esquerda um banheiro, poderia finalmente relaxar os dedos. Lavou as mãos e seguiu para o elevador. Terceiro andar. O tal doutor, conhecido como D.W., personificava seus medos. Abriu a porta lentamente e o avistou de costas, como premeditara.
- Está atrasada.
- Houve um pequeno incidente, mas tudo já foi resolvido.
- Você trouxe?
- Exatamente a parte que o senhor pediu.
Entregou-lhe o pequeno embrulho que trazia no bolso. Anatomicamente envolto em jornal, a encomenda fez D.W. esboçar um pequeno sorriso. Um silêncio ponderado. Era possível ouvir o barulho ensurdecedor dos carros passando na rua metros abaixo. Ela o fitou esperando pelo pagamento, minunciosamente envolveu o revolver com as mãos. O volume era discreto por baixo da camiseta. D.W. abriu uma das gavetas da escrivaninha e, após alguns segundos, curvou-se para finalmente pegar algo no interior do móvel. Um tiro.
- Estes elevadores demoram para descer.
- Um pouquinho.
Na rua, o volume de carros havia aumentado.
Marina para sempre intrigada com esse texto.
ResponderExcluirÉ sempre satisfatório ler e saber disso, haha.
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